RAZÕES DA DEFESA DA TOURADA E DA EXISTÊNCIA DESTE SITE

_AGU4292 copia

As razões de existência deste site e da defesa da tourada extrapolam os limites das análises do mero espetáculo.

Enumeremos as justificativas:
1) Defesa do mundo Ibérico. Muito da Espanha católica é a tourada e a tourada é um símbolo da Espanha católica. Ao defendermos a tauromaquia, estaremos defendendo o mundo ibérico católico cuja história é tão deturpada quanto a estupidez dos que sustentam que a Ibéria seria uma inópia.

Por isso, intercalamos textos de história com os de touradas. E o que vale para a Espanha vale para o augusto Portugal do qual somos herdeiros.

2) Combate ao sentimentalismo em relação aos animais. O mundo de “Walt Disney” e dos “defensores de animais” é efeminado, afetado e errado. Cuida-se de dar o valor correto dos animais, que é a sua sujeição completa ao homem.

3) Paidéia. Segundo os gregos, tudo forma ou deforma o homem. A tourada forma os homens em uma mentalidade de sacrifício, de luta, de ordenação do inferior ao superior, de sujeição da carne ao espírito.

4) Combate ao mundo. Assim, como o vinho, a Igreja e o gótico, a tourada é oposta per diametrum ao século irracional no qual vivemos.

5) A bela arte em si mesma. A tourada é uma arte nobilíssima e vetusta, que evoca e harmoniza com o gótico e com o barroco colonial. Anos-luz da arte moderna e do “rock”
Defendemos a tourada em nome próprio, não temos vergonha nem medo do que anunciamos como belo.

É uma luta?
É uma luta.
A vida é uma luta. E a vida é como uma tourada.

O mundo é o touro e a capa a nos proteger é Nossa Senhora. Os passes são como os argumentos certeiros, a defesa da fé e as boas obras. As quedas na arena são como nossos vícios ou as vicissitudes da existência.

As vitórias não são nossas, são de Cristo e Ele ditará o desfecho.
Assim como os toureiros recebem o touro na “puerta gayola” de joelhos, nós estamos genuflexos nesta tarefa.
Humildes.
Como “El poeta”:

Venga!

Marcelo Andrade
20 de janeiro de 2014

PLAZAS DE TOROS FECHADAS NA CATALUNHA. ENQUANTO ISSO, NO BRASIL…

Diversos noticiários brasileiros fizeram saber uma briga generalizada entre torcedores de times de futebol na rodada do Campeonato Brasileiro ocorrida no último domingo, 08/12/2013 (a matéria sobre a briga entre as torcidas se encontra ao final deste artigo). Um dos “motivos” para este confronto seria o rebaixamento de um dos times envolvidos.

Muitos reclamam das “violências” perpetradas nas arenas de touros espanholas. Não há touradas no Brasil; no entanto, será que os defensores dos animais daqui sabem alguma coisa acerca da “paz reinante” nos estádios de futebol?

Dizem que “uma imagem fala mais que mil palavras”. A considerar este adágio como verdadeiro, propomos a seguir uma rápida comparação visual entre a violência das touradas e a “civilidade” das partidas de futebol:

– Comportamento das torcidas durante os desportos:

TOURADA:                                                             PARTIDA DE FUTEBOL:

– Uso de armas letais:

TOURADA: contra touros                                           PARTIDA DE FUTEBOL: contra homens

Todas as praças de touros da região espanhola da Catalunha tiveram que ser fechadas por conta das violências contra os animais. Perguntar não ofende: quantos estádios de futebol em um e outro Estado brasileiro (apenas) serão fechados por causa da violência cometida contra seres humanos na Arena Joinville e em tantas outras arquibancadas?

Quem tiver olhos para ver, que veja.

In Christo et Maria,

Marcel Ozuna.

http://globoesporte.globo.com/futebol/brasileirao-serie-a/noticia/2013/12/briga-na-arquibancada-paralisa-jogo-entre-furacao-e-vasco.html

08/12/2013 17h27 – Atualizado em 08/12/2013 23h30

Briga generalizada de torcidas deixa quatro feridos na Arena Joinville

Torcedores protagonizam cenas de selvageria durante primeiro tempo de Atlético-PR x Vasco. Jogo fica paralisado por uma hora e dez minutos e é retomado

Por GloboEsporte.comJoinville, SC

Uma briga entre torcedores na arquibancada da Arena Joinville(veja o vídeo)paralisou o jogo entre Atlético-PR e Vasco aos 17 minutos do primeiro tempo, quando os paranaenses venciam por 1 a 0, na tarde deste domingo. Depois de uma hora e dez minutos, em que dirigentes e autoridades discutiram que rumo tomar, a partida voltou a ser disputada.

Um grupo do Furacão e outro de cruz-maltinos protagonizaram cenas de selvageria, com trocas de socos e pontapés. A polícia demorou a agir e, somente depois de alguns minutos do início da confusão, alguns oficiais apareceram para conter o tumulto. Quatro pessoas removidas pela equipe médica foram levadas para o Hospital São José, em Joinville. Eles foram identificados como Estevão Viana, 24 anos; William Batista, 19 anos; Gabriel Ferreira Vitael, 29 anos; e Diogo Cordeiro da Costa Ferreira, 29 anos. Estevão e William são paranaenses, enquanto Gabriel e Diogo são cariocas.

De acordo com o assessor de imprensa da unidade, Guilherme Duarte, os pacientes Estevão, Willian e Gabriel passaram por exames clínicos e neurológicos. Segundo a direção do Hospital São José, Willian Batista foi o que chegou em pior estado, com traumatismo craniano encefálico. Nenhum dos torcedores está em coma ou corre risco de morte. Diogo Cordeiro, inclusive, já recebeu alta. Ele deixou a unidade e pegou um táxi sem falar com a imprensa. Os outros três estão em observação e devem ser liberados até esta segunda-feira.

Porta-voz da Polícia Militar no caso, o policial Adilson Moreira explicou que não havia ninguém fardado na separação da arquibancada porque a responsabilidade era de uma empresa contratada pelo mandante. A PM, a princípio, agia apenas do lado de fora da Arena.

– É um evento privado, e a segurança era de responsabilidade de uma empresa privada contratada pelo Atlético-PR. Tudo vai ser analisado em razão das imagens. A Polícia Militar tinha que fazer o policiamento na parte externa do estádio, como está fazendo – afirmou Adilson.

As cenas foram fortes, com torcedores levando pisões na cabeça, já caídos e desacordados nos degraus das arquibancadas. Muitos vascaínos, acuados, pularam no campo para escapar. Um helicóptero pousou no gramado para resgatar os feridos no incidente.

Durante a briga, jogadores dos times se encaminharam para perto da arquibancada e pediram que os torcedores parassem com a briga. Aos prantos, Luiz Alberto parecia não acreditar no que assistia e clamava pela paz.

– A gente estava tentando tirar os torcedores do Atlético. Estávamos vendo o rapaz deitado, tomando chute, levando golpe de madeira. É um ser humano. Isso precisa parar. A gente pedia para eles pararem, e eles não nos escutavam – afirmou o zagueiro do Furacão.

O presidente do Vasco, Roberto Dinamite, e o vice geral Antônio Peralta se mostraram contrários à continuação da partida.

– Falei com o delegado do jogo e com a Polícia Militar. Se continuar o jogo e acontecer alguma coisa, os responsáveis são eles. Não estão respeitando o que é mais importante: vidas. Não é o rebaixamento nem nada. Não estamos pensando em Primeira ou Segunda Divisão. Estamos pensando em vidas – afirmou Dinamite.

A situação mexeu com todos os envolvidos na partida. Wendel falou em desastre.

– Tristes esses confrontos, não tenho palavras. Deu para ver uma pessoa no chão, não sei o que aconteceu. Mais um desastre no nosso futebol brasileiro. Vem ano de Copa do Mundo, ano em que o Brasil vai ser visto pelo mundo todo. É difícil pensar em tirar o time do rebaixamento, e espero que não tenha acontecido o pior. Por isso que a gente vem tentando criar esse Bom Senso FC. A gente quer organizar um pouco mais – afirmou o volante vascaíno.

A principal torcida organizada do Atlético-PR publicou em seu site, durante a semana, que não venderia ingressos para mulheres e menores de idade, “devido ao alto risco de confrontos na estrada, em consequência do grande número de torcedores de clubes rivais que estarão se deslocando para os jogos da última rodada”.

CARTAS II – A TOURADA E O CATOLICISMO

Assunto: Defesa da Fé
Nome: Ana Maria Romualdi Fina
Religiao: Católica
Cidade: Ouro Preto
Estado: MG
Escolaridade: Superior concluído
Profissao: Tradutora e Artista Plástica

PERGUNTA:

Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo
Salve Maria

Em Defesa da Fé e da Igreja Católica que tem sido substimada, atacada e perseguida de inúmeras maneiras, comunico que li na internet uma notícia que  compromete seriamente a todos nós, católicos, e que  causou-me indignação e repúdio:
\”A Igreja católica é proprietária e administradora de  arenas de touradas na Espanha; religiosos  frequentam esses espetáculos bárbaros, (inclusive participando de apostas.)\”
Perplexa e ciente de que essa Igreja prega pela Vida (o que, suponho,  inclui qualquer espécie de ser vivo), não acreditei nessa revelação, imaginando que pudesse ser mais uma manifestação de anti-Cristianismo.
É inacreditável, esta ofensa nos fere. Como poderia a Religião de Cristo permitir ou ser proprietária e administrar esse terrorismo fanático de psicopáticos  seres humanos cruéis que causam agonia, terror, dores em Animais indefesos e inocentes,e que é uma infame chaga da humanidade?!
Pelo Amor, pela Fé e Compaixão que nos une a Igreja, solicito providências que esclareçam essa abominável questão aos Católicos brasileiros.
Agradeço e despeço-me,

Fraternalmente.

****
RESPOSTA:

Cara Ana Maria, Salve Maria.

A tourada nada tem de anticatólica. Pelo contrário, é arte, drama e espetáculo, uma das poucas coisas nobres que ainda restam hodiernamente da bela cavalaria católica.

A tourada revela visão correta de mundo a respeito dos animais e não deixa de ser expressão de uma mentalidade bem católica.

O mundo moderno nos impõe uma visão efeminada, evolucionista e panteísta a respeito dos animais. Haja vista, o desenho ridículo “Bambi” de Walt Disney.

Há de se abandonar estas visões de mundo sentimentais.

Os animais não tem alma racional e todos vão morrer. Deus os criou para nos servir (Gn 1,26).

A crueldade com o animal é maior nos matadouros que na arena. A arena é o local onde o animal morre de modo mais heroico em tempos de paz.

A tourada é um choque para o mundo moderno, porque ela o contradiz.

O mundo é materialista, a tourada mostra, de forma ímpar, o duelo e a vitória da alma e do espírito contra o corpo e a matéria. O toureiro representa a alma e o touro, a matéria.

O mundo é demagógico, a tourada é monárquica e aristocrática.

O mundo é covarde e fraco, a tourada ensina o heroísmo e a força.

O mundo é panteísta, a tourada ensina que o homem pode e deve dominar os animais.

O mundo quer a cultura da massa, a tourada quer a cultura do povo.[1]

Os esportes do mundo são feitos a base de trapaças e drogas, a tourada é expressão da vetusta cavalaria católica.

A estética dos esportes (futebol, basquete etc.) é limitada e estulta, a tourada detém belíssima estética (os passes, por exemplo) e permite elevadas interpretações.

É verdade que S. Pio V condenou as touradas. Porém, mais tarde Clemente VIII as permitiu e reconheceu as vantagens que elas poderiam ter para os militares (nobres)[2].

A Igreja sempre permitiu a caça (que, aliás, é outra coisa belíssima), mesmo como esporte. Então, se é lícito matar animais por esporte, a caça, pode-se matar o touro na arena.

A análise da moralidade da tourada no século XVI se cindia não pela morte dos touros, mas pela potencialidade de risco ao ser humano, que pode ser evitado com treinamento e habilidade. Naquela época, não passava pela cabeça dos pensadores o menor resquício de sentimentalismo para os animais.

Marcelo Andrade

[1]Veja este texto: http://casademanolete.org/2018/06/05/as-massas-e-o-povo-o-futebol-e-a-tourada/

[2]http://www.saber.ula.ve/bitstream/123456789/29792/1/articulo5.pdf

DOMINGO PERFEITO – VERSÃO “LA MAESTRANZA”

 

Já se escreveu muito sobre domingos perfeitos, desde versões idiotas a bem inteligentes. Há belas versões francesas e romanas, por exemplo.

Esta é uma versão sevilhana ou à la “Maestranza”.

De manhã é hora de ir à missa. Cumprir o preceito, para isto existe o domingo. É o tempo de contemplar a renovação incruenta do calvário. Deus é a finalidade de nossa vida, temos de nos ordená-los a Ele, sacrificar nosso tempo e vida a Ele. Por isso, também, a primeira coisa a fazer no domingo é ir à missa. Em outras épocas, na bela catedral sevilhana, muitas missas eram rezadas ao mesmo tempo. E na missa se ouve o canto moçárabe.
Exemplo deste canto:

http://www.youtube.com/watch?v=Ob_YOmaW8Z8#t=150
Para conhecer a catedral

:http://www.youtube.com/watch?v=P_R1gsPDelU

E isto se relaciona com o primeiro estado, o clero.

De tarde, é a hora da tourada em “La Maestranza”, bela “Plaza” barroca e dourada, onde todo toureiro quer e deve tourear. Nesse belo espetáculo, mais uma vez temos o sacrifício e a ordenação do inferior ao superior. Entre outros simbolismos, a tourada remete à cavalaria. Em outras épocas, os nobres, excelentes cavaleiros e versados na tauromaquia, morriam se preciso fosse, nas justas batalhas pela defesa da fé. E na “Plaza de Toros” se ouve o “pasodoble”.
Exemplo:

http://www.youtube.com/watch?v=crmN3Dxjm74

E isto se relaciona com o segundo estado, a nobreza.

De noite, depois de um passeio pela orla do rio Guadalquivir, no qual, em outros tempos, os galeões iam e voltavam do novo mundo, é hora de buscar um bom “bar de tapas” em “El Arenal”, belo bairro sevilhano. “Las tapas” exigem o vinho jerez, único que combina com azeitona. E de novo temos o sacrifício, quer pelos difíceis sabores que o jerez subjuga quer pelos mesmos sabores somados ao vinho que o paladar vence. E nesses bares ouve-se o flamenco “por bulerias” bem alegre e com muitas palmas batidas.

Exemplo: http://www.youtube.com/watch?v=7D_ML35Z-e0

E isto se relaciona com o terceiro estado, os povos.

Cuida-se de os “três estados” bem representados. Temos clara a ideia de sacrifício e de ordenação. Uma mentalidade bem católica, diferente do mundo afetado que os inimigos da Igreja querem construir.

Este é o domingo perfeito na cidade reconquistada por São Fernando, rei, cavaleiro, antiecumênico, enterrado na catedral e que escorraçou os mouros.

Nossa Senhora de Macareña, esperança de Sevilha, rogai por nós.

Marcelo Andrade, 24 de novembro de 2013.

 

CARTAS I – A ORDENAÇÃO DOS ANIMAIS AO HOMEM

Recebi, por meio do amigo Eder de Campo Grande, uma série de cartas (e-mails) desaforadas, em razão de uma defesa que fiz das touradas. Tais cartas revelam o baixo nível intelectual do mundo em que vivemos, no qual as pessoas são incapazes de argumentar e logo partem para os turpilóquios.

Responderei as cartas genericamente, em duas partes, mostrando porque a tourada é legítima, de forma resumida.

**************

Parte I- A ordenação dos animais ao homem:

De acordo com S. Tomás:

– “A caça dos animais das florestas é justa e natural” (Aristóteles). I, Q. 96, a1.

– “Os seres mais imperfeitos são postos à disposição dos mais perfeitos”. II-II, q. 64, a.1, rep

– “Por uma ordem justíssima do Criador, a vida e a morte desses seres (animais e plantas) estão a nosso serviço” (S. Agostinho) II-II, q. 64, a.1, sol. 1.

No mundo, dito selvagem, os vegetais servem aos animais e os animais mais fracos servem aos mais fortes. E todos eles devem se submeter ao homem.

Deus criou-os para servirem ao homem, seja materialmente seja espiritualmente, neste caso, ensinando símbolos de virtudes e vícios.

Muito melhor do que deixar um touro viver e morrer no pasto, é colocá-lo na arena para o belíssimo espetáculo simbólico da tourada. Para isto foi feito.

Assim como é bem mais útil ter um computador realizando tarefas do que ele estar desligado.

Todos os animais são substâncias viventes, sensíveis e não racionais (definição tomista).

O homem é uma substância vivente, sensível e racional (definição tomista).

Entre o ser racional e o não racional há um abismo enorme, de forma que os dois têm natureza diferente.

Como o Direito nasce da natureza racional do homem, os animais não tem direito nenhum, pois são irracionais. A lei natural vincula-se ao homem, por ser racional. (Ver I-II, Q.90 e seguintes.)

Os animais, portanto, não direito de viver, de comer, ao bem estar etc.

E também, os animais não são objeto da caridade. Esta virtude, tão mal compreendida, tem por objeto Deus e os homens, nunca seres irracionais. (II-II, q.25, a.1)

Assim, alguém que “salva” um animal da morte não faz caridade nenhuma.

Os animais agem por instinto e podem ser treinados para salvar vidas ou para matar. Por isso, não há mérito na ação deles nem “culpa”.

O homem, que tem alma imortal, irá para o céu ou para o inferno. Os animais não irão para lugar nenhum.

Nos seis exemplos abaixo relacionados, temos casos nos quais é absolutamente legítima a morte dos animais e envolvem certa “crueldade” contra eles. E se relacionam com as necessidades materiais do homem.

1) Alimentação.  Um homem mata uma galinha na floresta para se alimentar.

2) Causa econômica. Um suinocultor vende porcos para o abate e com isto recebe dinheiro para sustentar a família dele.

3) Higiene e saúde local.  Ratos estão empesteando uma casa,  dono compra um veneno para matar os animais.

4) Saúde em geral. Cobaias em laboratório. Biólogos fazem experimentos com a finalidade de desenvolver um medicamento que servirá para a saúde da população.

5) Defesa de um bem. Um pastor matou um lobo porque este atacava as ovelhas

6) Roupa. Matar um “vison” para fazer um casaco.

Na caça e na tourada, estão envolvidos o lado material e o espiritual do homem:

1) “Caça esportiva”. Prática feita há milênios, visava treinamento militar, formação de caráter e simbolizava o controle da alma sobre o corpo. Havia regras a serem seguidas, rituais etc. incidentalmente, a caça gera lucros e empregos e resultava em alimentação (itens 1 e 2). Mesmo que a caça fosse neutra em relação ao lado espiritual, ela seria legítima, pois, abriga os itens 1 e 2, do elenco supracitado.

2) Tourada. Relaciona-se com a caça e vai mais além, na simbologia. Elevando à potência máxima a ordenação dos animais ao homem. Como a caça, incidentalmente, a tourada gera lucros e empregos e resulta em alimentação (itens 1 e 2). Mesmo que a tourada fosse neutra em relação ao lado espiritual, ela seria legítima, pois, abriga os itens 1 e 2, do elenco supracitado.

Vemos que os oito casos seguem o mesmo princípio: da ordenação do inferior ao superior.

Há outros casos de “maltratos” que não envolvem morte, como por exemplo:

1) Andar a cavalo. Durante milênios, os homens andaram a cavalo, maltratando os animais com horas e horas a fio de cavalgadas.

2) Tosquiamento de animais lanígeros . Durante séculos os carneiros têm sua lã retirada.

3) Injeção de veneno de cobra em equinos para obtenção de soro antiofídico.

4) Trabalho. Durante milênios se usam muares e bois para arar a terra e transportar mercadorias.

Diferente é o caso de se maltratar um animal sem razão. Neste, a conduta deve ser punida, não por causa do animal, pois, este não tem direito.

A conduta deve ser punida porque a crueldade, sem ordenação a nada elevado, se operou por pura maldade e/ou sadismo.

De modo similar, não se pode matar os animais a esmo, sem razão, não por causa deles, mas porque direitos de terceiros seriam violados.

Defender os “direitos” dos animais e/ou sua igualdade aos homens não é um valor humanista, mas sua negação. Já que seria tratar um homem como um animal.

Está escrito: “Não é bom tomar o pão dos filhos e lançá-lo aos cães” (Mt XV, 26) e “não deis aos cães o que é santo, nem lanceis aos porcos as vossas pérolas” (Mt VII, 6).

Defender os animais como se fossem homens é propor o colapso da sociedade, já que a vida seria dificílima sem a sujeição deles aos homens.

Ser “bonzinho” com os animais é fazer mal aos homens, pois, ao emprestar “direitos” aos seres irracionais, está-se tirando reais direitos de alguém.

E a “crueldade” é inerente à sujeição do inferior ao superior, não há como matar e injetar veneno de cobra em um equino sem um mínimo de dor, por exemplo.

E por que há uma escolha, por mero capricho, dos animais a serem protegidos? Os cães são sempre os primeiros a serem defendidos e depois os touros.

Por que ninguém defende os ratos dos raticidas?

Outra curiosidade é: por que ninguém fala nas obrigações dos animais? Assim como eles teriam “direitos” segundo seus defensores, porque não teriam a contrapartida das obrigações? Por que não poderiam ser “punidos” e só “premiados”?

Por questão de coerência, os que são contra a “crueldade” feita contra os animais e defendem os “direitos” deles:

1) Não poderão comer carne de animais nem peixe nem nada que viva.

2) Não poderão usar lã

3) Não poderão  comer nada que tenha ovos de galinha, incluindo doces e massas que tenham ovos em sua composição. Os ovos, afinal, contém o embrião.

4) Defenderão que as pessoas que vivam de exploração de animais, por exemplo, os suinocultores, abandonem suas profissões.

5) Se forem picados por cobras não poderão usar soros nem tomar remédio advindos de uso de testes em animais, em laboratório.

6) Não poderão beber leite, já que isto é furtar um produto das vacas nem poderão comer laticínios nem queijos.

7) Não poderão andar a cavalo nem usar raticidas.

Etc.

Ser contra as touradas, ser contra o uso de animais em laboratório etc, sem adotar as condutas supramencionadas é pura incoerência.

E São Francisco de Assis? Não chamou os animais de irmãos?

A grandeza deste santo é proporcional à deturpação que fazem de sua biografia.

São Francisco era antiecumênico, enfrentou o sultão Malek e era a favor das cruzadas.

É verdade que chamou os animais de “irmãos”, ainda que “irmãos inferiores”.  Porém, também chamou de irmãos: o sol, o vento, o fogo, a morte corporal etc. (ver “cântico das criaturas”).

Para São Francisco, os animais são nossos irmãos assim como a morte corporal. Ele estava se referindo a toda a obra da criação e não a “irmão” em sentido estrito. Se assim fosse, além de lutar pelos animais teria de se lutar pelos direitos do “vento”.

Parte II – Justificativa da tourada pela história.

A ligação da Península Ibérica (Portugal e Espanha) com a tourada é intensa e varre muitos séculos, englobando toda a sociedade, o chamado “três estados” (Clero, Nobreza e Terceiro Estado)

Assim, a nobreza sempre disputou e apoiou torneios e os membros da família real tanto portuguesa quanto espanhola eram versados na arte da tauromaquia.

A população em geral (o “terceiro estado”) também era (e é) aficionada.

E o liame da Igreja da Península Ibérica com a tourada é bem mais estreito do que parece à primeira vista.

Nas festas religiosas e nas comemorações de canonizações sempre havia muitas touradas.

Na comemoração da canonização de Santa Teresa de Ávila, por exemplo, em 1614, foram sacrificados mais de duzentos touros em dezenas de corridas.

Igualmente ocorreram faenas quando foram canonizados santos como  Francisco Xavier,  Luiz Gonzaga etc.

E isto se estendia em todo o Império espanhol. Em Lima, por exemplo, no começo do séc. XVII, os dominicanos organizaram uma grande festa para celebrar a canonização de São Domingos de Peñafort.

Às vezes, as celebrações cruzavam as fronteiras. Em Roma, em 1492, para celebrar a conquista de Granada, realizaram-se corridas, presididas pelo cardeal espanhol Rodrigo de Borja, que se tornaria mais tarde papa.

Muitas “ganaderias” foram propriedade de religiosos, como a dos cartuxos, a dos jesuítas e a dos dominicanos, na Andaluzia. E estes religiosos promoviam várias corridas. Bispos abençoavam as arenas e assistiam ao espetáculo. Alguns deles até chegaram a construir “plazas”.

No séc. XIX algumas das melhores “ganaderias” eram de religiosos.

Em Portugal, as Santas Casas de Misericórdia possuíam e possuem várias arenas de touros. E assim, como na Espanha, havia touradas nas comemorações e festas religiosas. E muito das rendas obtidas pelas “fiestas” eram revertidas em prol de obras de caridade.

No Brasil também houve touradas no passado, assim como nas colônias portuguesas africanas , em Goa e em Macau.

Em épocas mais recentes, sabe-se que Monsenhor Escrivá assistiu a touradas no começo do séc. XX.

Diz-se que o exemplo arrasta. Pois bem, o exemplo da Igreja na Península Ibérica é pela licitude e pelo alto valor da tauromaquia.

A tourada pertence à alma ibérica, região que produziu muitos santos, mártires e heróis. E que por meio da colonização, converteu boa parte do mundo.

Mais ainda que o apoio, que os religiosos davam e dão à tourada, é interessante entender a harmonia que se vê entre a religião e a tourada, pois ambos representam a sujeição do inferior ao superior, do corpo à alma. Assim como o touro é sacrificado para o homem, nós devemos nos sujeitar a Deus e sacrificarmos, se for o caso, nossa vida por causa Dele. A tourada pode muito bem ser um símbolo do martírio.

A decadência dos valores católicos, em nosso tempo, é proporcional à aversão às touradas.

Triste mundo que é contra a tourada e não entende esta nobre arte, mas que quer o aborto.

Triste mundo que aderiu a um sentimentalismo raso em relação aos animais.

Marcelo Andrade, 11 de novembro de 2013.

OS MÁRTIRES DE ROMA E A TOURADA

 

os matires de roma e a tourada

       Muitos dos mártires da Roma Antiga foram mortos por feras em espetáculos abertos ao público. Além da abjeção diabólica do “show” e da beleza do martírio, podemos aduzir outra significação interessante.

      O Império Romano foi glorioso em suas conquistas e possuía o melhor Direito da antiguidade, concedendo paz e estabilidade aos seus cidadãos.

      Porém, o Império Romano era pagão…

      A vontade reinante era a da sujeição da alma aos prazeres da carne e do espírito à matéria.

      Roma estava entregue à devassidão, à escravidão das paixões e ao príncipe deste mundo. Tal visão de mundo era incompatível com o catolicismo ascendente.

      Este conflito só poderia terminar em sangue. Roma queria sufocar os convertidos e fazê-los abjurar de sua fé.

      Os cristãos que não apostataram, sucumbiram brutalmente nas arenas, estilhaçados por feras e sob o aplauso de multidões apaixonadas pelos vícios.

      As feras podem bem representar o mundo pagão, o lado irracional das paixões, os prazeres ilícitos, o corpo e a carne.

      Os cristãos eram os convertidos que já haviam sufocados suas paixões, sujeitavam o corpo ao espírito e queriam servir somente a Deus.

      Roma vencia, então, as feras venciam.

      É bem verdade que a derrota dos mártires era apenas superficial, pois ganhavam o céu.

      Um dia, porém, o Império Romano se converteu por causa do sangue dos mártires e depois desapareceu. No varrer dos séculos, outros reinos e impérios surgiram.

      Um destes impérios era o espanhol, muito católico, que queria converter os pagãos, estilhaçar as heresias e pelejar contra os inimigos da fé.

      Surgiu a tourada na Espanha.

      Ela é o inverso da arena romana. Nela, o sangue derramado são os das feras e não os dos cristãos. Nela, estão presentes os valores de guerra bem católicos que fazem a sujeição do corpo e da carne ao espírito e à alma. Serve a Deus e não ao mundo, é antipagã. A multidão aplaude o toureiro e não a sua morte.

      A tourada, por assim dizer, de modo simbólico, “vinga” a morte dos mártires com a peleja contra as feras, os touros.

      Era muito comum na Espanha fazer touradas para comemorar os dias dos mártires.

      Por causa da inversão do significado, toda vez que assisto a uma tourada, lembro-me de que mártires da Roma Antiga morreram em arenas.

      E também, porque, afinal, somos católicos hoje porque milhares pereceram naqueles sangrentos circos de outrora.

Marcelo Andrade.

29 de outubro de 2013

O PASSE DO TOUREIRO, A MULHER DE LOT E A ESPERANÇA

“Mas a mulher de Lot olhou para trás e se transformou numa coluna de sal”( Gn 16,26)

O grande Santo Agostinho ensina:

“ (…)Eis ao que nos exorta a esperança: a desprezar o presente e esperar no futuro, esquecendo o que fica para trás e voltando-nos para o que está à nossa frente, como o apóstolo, quando diz: um único objetivo persigo, esquecido das coisas que ficam para trás e voltando-me para as coisas que estão para diante, no intento de alcançar o prêmio do chamamento celestial de Deus em Cristo Jesus.

Nada, pois, mais contrário à esperança do que olhar para trás, ou seja, pôr a esperança nas coisas passageiras e efêmeras, em vez das coisas que ainda não nos foram dadas, mas que hão de ser e que, quando o forem, jamais passarão.

Ora, como o mundo abunda em tentações, qual chuva de enxofre de Sodoma, devemos temer o exemplo da mulher de Lot, pois ela olhou para trás e, quando olhou, ali mesmo ficou imobilizada. Ficou transformada em sal para que com o seu exemplo pudesse dar tempero aos prudentes. (…)”[1]

Na tourada, depois de determinados passes, é comum o toureiro virar de costas para o touro e não olhar para trás.

O toureiro dá um basta. Ele olha para frente com esperança, em busca de novos desafios e passes, o passado já era, segue dominado.

Neste exemplo (no segundo 14), depois de um belo “pase de pecho”, o toureiro dá as costas para o touro, demonstrando destemor e desprezo pelo animal:

O touro já está dominado. O corpo perdeu. A alma ganhou.

Para o católico, isto simboliza que as paixões e o passado restam subjugados.

Depois de confessados os pecados (se for o caso), já era, como se não existissem.

Relembrar, remoer, não esquecê-los é o “olhar para trás”. Pode ser novo pecado e mostra desesperança.

O sal é bom, porém em excesso é ruim, assim como as virtudes cardeais (temperança, prudência, justiça e fortaleza) que repousam na justa medida, no termo médio.  Justiça é um equilíbrio entre a misericórdia e a punição, esta em excesso já não é virtude, é vício.

A temperança deve regular a conservação e à transmissão da vida humana. Sodoma e Gomorra se excederam nestes quesitos, houve abuso, houve luxúria, houve destempero de sal.

A mulher de Lot olhou para trás. De alguma forma houve alguma sentimentalidade com as cidades condenadas. Por isso, foi punida, recebeu sal em excesso, se tornou estéril e morta.

Quem desordena a temperança, que serve à vida, receberá a morte. Por isso, o santo de Hipona disse que a mulher de Lot: “ Ficou transformada em sal para que com o seu exemplo pudesse dar tempero aos prudentes”.

Voltando ao toureiro, podemos dizer que seus passes magistrais são bem temperados, há sal na justa medida. E prudência.

Assim como os bons católicos, os bons toureiros não viram estátua de sal, não volvem para trás.

Fitam o futuro com esperança.

Marcelo Andrade

11/06/2013

[1]Pág. 93 e 94. “O De excidio  Vrbis e outros sermões sobre a queda de Roma”, Santo Agostinho. Editora Centro de Estudos Clássicos e Humanísticos, Coimbra, 2010